As tendências que foram discutidas em sala baseadas,principalmente, no texto de Luckesi. Muitas me pareceram “loucuras”, utópicas, possíveis! Quanto as Oficinas, não estive em todas, das que estive gostei por sempre gerarem discussões sadias em sala.
Mas apenas aqui estará sobre a minha oficina que por sinal será apresentada no último dia de aula, cujo tema é: Ludicidade na sala de aula.
Aí vai uma das entrevistas da equipe com um professor de História, formado pela nossa Universidade:
1 - O que é ludicidade?
2 - Qual a influência da sua presença no aprendizado?
3 - Conseqüência(s) da sua falta?
4 - Exemplos de ludicidade
5 - Problemas na utilização da ludicidade?
6 - A organização da educação no Brasil favorece a ludicidade?
7 - Você conhece a origem da palavra?
8 - Ludicidade X brincadeira: são iguais, diferentes, uma está inserida na outra?
1 – Ludicidade em termos pedagógicos é o uso de recursos que dinamizem o processo de aprendizagem, que tornem a experiência de aprender divertida para o aluno, podendo ser em forma de jogos, dinâmicas ou aulas abertas, esquetes, discussões. A forma como o recurso lúdico será utilizado também depende de vários fatores, como idade dos estudantes, serie, turno.
2 – Contribui para uma aproximação entre educador x educando, ajuda a tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico e, sob vários aspectos, menos cansativo inclusive para o educador; contribui para aumentar o interesse do educando pelo aprendizado, já que ele associa o processo com algo divertido; muitas vezes associa o aprendizado a uma atividade pratica.
3 – Basicamente, o processo se torna maçante, cansativo e contribui para a perda de interesse do educando.
4 – Turma de EJAIII 1 e 2, noturno, publico de 18 anos em diante, normalmente trabalhando nos turnos anteriores. A proposta foi para o estudo do feudalismo e das relações na Idade Media, os alunos compuseram, em equipes de 4 ou 5 pessoas, maquetes de feudos com todas as estruturas necessárias ao seu funcionamento e após a elaboração juntamos todas as maquetes no meio da sala e cada membro de equipe encarnou servo, nobre ou religioso, partindo daí propus um jogo, primeiro chamei a atenção para as divisões territoriais (a chamada “colcha de retalhos” sócio-política); e cada equipe recebeu por sorteio uma serie de tarefas que deveriam ser lidas em voz alta para a turma e executadas pela equipe, as tarefas incluíram desde a coleta de impostos medievais, relações com a igreja, iniciação de vassalos, guerras entre feudos, questões de sucessão, casamentos entre outros – as tarefas foram elaboradas de forma que os vários aspectos da organização socioeconômica e cultural da Idade Média fossem apresentadas e discutidas. A idéia foi proporcionar a estes alunos uma experiência de produção artesanal e de uma atividade que eles como adultos muitas vezes não se permitiam ou muitas vezes não tinha tempo, além disso, a experiência de vivencia ajudou a fixar e problematizar o tema, inclusive com paralelos feitos pelos próprios estudantes com a sua realidade.
5 – A utilização desse recurso tem que fazer sentido, não só para o educador como para o educando, o fica sob sério risco de banalização.
6 – Não, absolutamente. Não existe tempo, estrutura, incentivo, o profissional de educação é mau remunerado, super-explorado, só pra citar o que me lembro. O exemplo que dei só foi realizado, por que assumi toda a responsabilidade na elaboração e os estudantes adquiriram o material e a carga horária do sistema EJA propiciou a execução.
7 – Latim, ludus, significa jogo, como o jogo de tabuleiro.
8 – Brincadeiras são, per si, atividades lúdicas, mas o processo de uso da ludicidade, creio eu, vai um pouco além disso.
Lucas Borges dos Santos, graduado em Historia pela Universidade Federal da Bahia.