Hoje "conheci" Isaías. Este com seu corpo, e juntamente com sua família, ou parte dela, profeticamente denunciava injustiça. Lembrou-me de um outro Isaías, profeta, que dizia: “Ainda que orem muito, eu não os ouvirei, pois os crimes mancharam as mãos de vocês. Lavem-se e purifiquem-se! Não quero mais ver as suas maldades! Parem de fazer o que é mau e aprendam a fazer o que é bom. Tratem os outros com justiça; socorram os que são explorados, defendam os direitos dos órfãos e protejam as viúvas.” O Senhor Deus diz: “Venham cá, vamos discutir este assunto (Isaías 15b-18b).
Naquele ônibus, em poucos minutos, Isaías me fez chorar. Ele tão pequeno, franzino, as perninhas sujinhas, um par de tênis surrado, olhos vivos. Ao aninhar-se no colo de sua mãe, que equilibrava-se entre acomodar-se no banco, colocá-lo em seu colo e segurar os sacos com latinhas amassadas, tornou aqueles olhos em sonolentos e apagou. Olhava as vezes pra ele, para as moedinhas que uma senhora deu dizendo para ele comprar algum doce depois. As palavras do profeta me inquietavam, me lembrava também dos Joesleis Batistas por aí, da vida que levam a maioria dos políticos que roubam do menino Isaías.
O profeta continuava a me dizer outras palavras: "Vocês correm para fazer o que é errado e se apressam para matar pessoas inocentes; vocês pensam somente em maltratar os outros e, por onde passam, deixam a destruição e a desgraça. Não conhecem o caminho da paz, e todas as suas ações são injustas. Vocês preferem seguir caminhos errados e por isso não têm segurança (Isaías 59:7-8). Mas me lembrava também da queda da Babilônia, da alegria futura de Sião, de justiça, de perdão pra quem se arrepende. Palavras de esperança em meio ao que estamos vivendo. Só tinhas umas moedas na bolsa e juntei na mãozinha dele as que já havia ganho da senhora e desci.
Ainda processando sobre como me manter saudável emocionalmente, sobre que Igreja faço parte, sobre "que estou fazendo se sou cristão?", processando o sentimento de impotência, inutilidade. Recorrendo Aquele que atende meu clamor, minhas angústias, que me consola, muda, usa.